Azul Caneta

Solteira

14 maio 2026

"O cão tem fim de cão dentro da flor e o homem termina, ao perder coragem de continuar. Ou é expulso pelo cão. (...) Mas eu cão Desidério vou caindo cada dia mais, vou descendo um rio que desce noutro e não posso impedir de cair a cada hora, ou desequilibrar. O que ainda demora é amor. Fui cão paciente. Sou feito de floridos canteiros. Deixo o futuro ao homem, sou presente. De amor desprevenido. Tudo se torna indício de ågil abismo."
Carlos Nejar, "DesidĂ©rio, ou o gĂȘnero humano".